Cidades

Andei anos a pensar que era uma cosmopolita pura, que era na cidade que gostava de estar, de viver e que nunca trocaria a cidade pelo campo. Hoje em dia, não sei se continuo a pensar da mesma maneira, o radicalismo desvaneceu-se e deu lugar à nostalgia das cidades já visitadas e ao desejo de novos destinos (citadinos ou não)
A convicção de que a cidade era o meu destino, fez tanto sentido como as promessas de amor eterno, características da adolescência. "Nunca te abandonarei" ou "És o único amor da minha vida" são frases que, com o tempo, perdem força mas ganham solidez, tornando os laços fortes, sem estrangularem. É por isso que penso que talvez um dia deixe de viver na cidade para passar para um cenário mais bucólico.
Uns dias passados no Alentejo fizeram-me reflectir sobre todas estas questões. É verdade que não há tantos centros comerciais, que os cinemas não exibem os filmes alternativos do momento e que não estamos no centro... Contudo, encontramos a tão ansiada e proclamada qualidade de vida, que afinal não é apenas um chavão que aparece nos jornais e livros escolares. É óbvio que me refiro a um Alentejo específico, onde não há pobreza e no qual as pessoas ganham para além do limiar da sobrevivência, mas onde incrivelmente se poupa mais água, mais luz, onde se aproveita o lixo orgânico para os animais e para adubar as terras e onde tudo é apro e reaproveitado.
Quanto à cidade... o facto é que regresso alegremente e que esta me tranquiliza por algum tempo... Mas não o suficiente para continuar achar que a cidade é o meu destino e que ela encerrará os vários episódios da minha vida.
Comentários
Já tenho a água pertinho e é muito fixe, falta só o campo.
BJ
Pode parecer paradoxal, mas agradam-me os movimentos pendulares da periferia para o centro...são algumas horas por dia que se perde em transportes, é verdade...no entanto vemos movimento, pessoas, quase que inconscientemente lhes estudamos os hábitos ao longo de anos.
Em vez de nos andarmos sempre a queixar deviamos era imaginar de que forma é que conseguimos dar o nosso contributo para que a nossa periferia se torne mais interessante e atractiva do ponto de vista cultural, urbanístico, cívico...para que o subúrbio de hoje seja o centro de amanhã!
E Sr. Éme, mas tu achas que a nossa cidade tem algum remédio??
è porreiro vir para a periferia, mas é por causa dos amigos, familiares.
Isto por aqui, já dizem que muda há muito tempo, mas não passa do mesmo sitio.
Mas a ideia é porreira!
Mas mesmo assim, a minha casa virada pro rio é bem fixe! E como já trabalho por aqui, vou ficando, som esperança que mude, mas sabendo que não mudará.
Sr. Ême eu também gosto bastante de estudar os habitos dos cosmopolitas, é sempre uma fonte de inspiração.
Claro que a nossa cidade tem remédio...basta que nós - os principais interessados - estejamos informados e envolvidos, para podermos fazer a diferença...
é só percebermos em que área é que nos sentimos mais à vontade para intervir...e fazê-lo!
Não é a ficarmos à espera que isto mude, mas sem esperança que essa mudança aconteça, que a nossa cidade vai melhorar!
Quanto ao Ventura...no seu caso "estudar os habitos dos cosmopolitas" entendo como uma prática chamada voyeurismo...uma tara...um desequilíbrio, uma descompensação ao nível emocional que se traduz na busca pela excitação sexual através da observação ilícita da vida íntima dos outros...percebe? Seu tarado!
E pare de espreitar cá para casa!
;-)
Tavas mesmo virado para a critica, hem?
Eheh
Claro que eu me interesso pela cidade, mas não vejo grande remédio mesmo, desculpa por ser pessimista mesmo.
Vou tentar melhorar a minha forma de ser e pensar.
Beijinhos
não leve a minha critica tão a peito...
foi só um desabafo...
bjs